Mostrando postagens com marcador Microbiologia Medica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Microbiologia Medica. Mostrar todas as postagens

21 maio, 2010

Citocinas

As citocinas são mediadores solúveis das respostas de defesa do hospedeiro, tanto específicas quanto inespecíficas. Como tais, desempenham um papel extremamente importante nos mecanismos efeteres envolvidos na eliminação de antígenos estranhos, como os microrganismos. O quadro abaixo fornece uma lista de um pequeno número de citocinas importantes.

Novas citocinas ainda estão sendo descobertas, e ainda há muito para aprender a respeito da sua estrutura e sua função, bem como sobre o modo de aproveitar terapeuticamente esses modificadores da resposta biológica. Durante as respostas imunológicas, são produzidas numerosas citocinas diferentes.

A mesma citocina pode ser produzida por múltiplos tipos celulares e pode exercer múltiplos efeitos sobre a mesma célula, além de atuar também sobre muitos tipos diferentes de células. Seus efeitos são mediados pela ligação a receptores específicos presentes nas células-alvo. Por conseguinte, as citocinas são semelhantes a outros hormônios, uma vez que seus efeitos são mediados através de receptores que induzem as células-alvo a responder. Como mostra o quadro abaixo as citocinas (como outros hormônios) atuam frequentemente como fatores de crescimento.

Clique para ampliar



Fonte: Microbiologia Médica, Brooks, Butel, Morse.




18 maio, 2010

Neisseria

As neisserias são cocos Gram-negativos, que habitualmente ocorrem em pares. A N. gonorrhoeae (gonococos) e a N. meningitidis (meningococos) são patogênicas para os seres humanos e tipicamente encontradas em associação a células polimorfonucleares ou no seu interior. Algumas neissérias são habitantes normais das vias respiratórias humanas, raramente ou nunca causam doença e são encontradas fora das células.

Os gonococos e os meningococos estão estreitamente relacionados com 70% de homologia do DNA, sendo diferenciados com base em alguns testes laboratoriais e certas características específicas: os meningococos possuem cápsulas de polissacarídio, o que não ocorre com os gonococos, e os meningococos raramente têm plasmídios, enquanto a maioria dos gonococos possui plasmídios. Entretanto, o aspecto mais importante é as duas espécies são diferenciadas pelos quadros clínicos habituais das doenças que provocam: tipicamente, os meningococos que são encontrados nas vias respiratórias superiores e causam meningite, enquanto os gonococos provocam infecções genitais.


Coloração de exsudato uretral de um paciente com gonorréia pelo método de Gram. São observados núcleos e contornos de membranas celulares de numerosas células polimorfonucleares. Os diplococos Gram-negativos intracelulares (Neisseria gonorrhoeae) em agregados, são os de pigmentação amarelada.


Morfologia e Identificação

Microrganismos típicos: a Neisseria típica é um diplococo Gram-Negativo imóvel, com cerca de 0,8 um de diâmetro. Os cocos isolados são reniformes; quando os microrganismos ocorrem aos pares, os lados adjacentes são achatados ou côncavos.

Cultura:
depois de 48 h em meios enriquecidos (meio de Mueller-Hinton, meio modificado de Thayer-Martin), os gonococos e meningococos forma colônias mucóides convexas, elevadas e brilhantes, com 1-5 mm de diâmetro. As colônias são transparentes ou opacas, não pigmentadas e não hemolíticas. A N. flavescens, a N. subflava e a N. lactamica exibem pigmentação amarela. A N. sicca produz colônias opacas, quebradiças e enrugadas. A M. catarrhalis forma colônias opacas não-pigmentada ou cinza-rosadas


Características de crescimento: as neissérias crescem melhor em condições aeróbicas, porém algumas crescem em ambiente anaeróbico, tendo exigências complexas para seu crescimento. A maioria desses microrganismos fermenta carboidratos, produzindo ácido, mas não gás, e seus padrões de fermentação de carboidratos proporcionam um meio para distingui-los. As neisserias produzem oxidade e reações positivas para oxidase.

→ Neisseria gonorrhoeae (Gonococos)

Os gonococos só fermentam a glicose e diferem das outras neissérias antigenicamente. Em geral, os gonococos produzem colônicas menores do que as outras neissérias. Os gonococos que necessitam de arginina, hipoxantina e uracil (auxotipo Arg-, Hyx+, Ura+) tendem a crescer mais lentamente na cultura primária.

Estrutura Antigênica

A N. gonorrhoeae é antigenicamente heterogênea e tem a capacidade de modificar suas estruturas de superficie in vitro - e presumivelmente in vivo - para evitar as defesas do hospederio. As estruturas de superficie são as seguintes: Pili, Por, Opa, Rmp, Lipooligossacarídio e outras proteínas.

Genética e heterogeneidade antigênica

Os gonococos desenvolveram mecanismos que frequentemente permitem a mudança de uma forma antigênica (pilina, Opa ou lipopolissacarídio, que são importantes na resposta imunológica à infecção) para outra forma antigênica da mesma molécula. Essa rápida mudança ajuda os gonococos a escaparem do sistema imunológico do hospedeiro.

Patogenia, patologia e manifestações clínicas

Os gonococos exibem vários tipos morfológicos de colônias, porém apenas as bactérias dotadas de pili parecem ser virulentas. Os gonococos que formam colônicas opacas são isoladas de homens com uretrite sintomática e de culturas de amostra do colo uterino de mulheres na metade do ciclo menstrual. Os gonococos que formam colônias transparentes são frequentemente isoladas de homens com infecção uretral assintomática, mulheres durante a menstruação e de formas invasivas de gonorréia, incluuindo salpingite e infecção disseminada. Nas mulheres, o tipo de colônia formado por uma única cepa de gonococo modifica-se durante o ciclo menstrual.

Os gonococos que causam infecção localizada são frequentemente sorossensíveis, porém relativamente resistentes ao antimicrobianos. Em contraste, os gonococos que penetram na corrente sanguínea e provocam infecção disseminada são habitualmente soro-resistentes, mas podem ser muito suscetíveis à penicilina e a outros antimicrobianos.

Exames Laboratoriais

Amostras: são obtidas amostras de pus e secreçõs da uretra, do colo, do reto, da conjuntiva, da garganta ou do líquido sinovial para cultura e esfregaço.

Esfregaços: os esfregaços de exsudato uretral ou endocervical são corados pelo método de Gram, que relevam numerosos diplococos no interior de leucócitos, achado que permite o estabelicimento de um diagnóstico presuntivo.

Cultura: Imediatamente após a coleta, o pus ou muco são semeados em meio seletivo enriquecido (meio modificado de Thayer-Martin) com incubação em atmosfera contendo 5% de CO2, a 37°.

Sorologia: O soro e o líquido genital contêm anticorpos IgG e IgA contra os pili gonocócicos, as proteínas da membrana externa e o LPS. Parte da IgM do soro humano é bactericida para os gonococos in vitro. Nos indivíduos infectados, pode-se detectar a presença de anticorpos dirigidos contra os pili gonocócicos e as proteínas da membrana externa por meio de immunoblotting, radioimunoensaio e ELISA (ensaio de imunoabsorção ligado a enzima).

→ Neisseria Meningitidis (meningococo)

Estrutura Antigênica

Foram identificados pelo menos 13 sorogrupos de meningococos com base na especificidade imunológica dos polissacarídios capsulares. Os sorogrupos mais importantes associados à doença nos seres humanos são A, B, C, Y e W-135. As proteínas da membrana externa dos meningococos foram divididas em clases, com base no seu peso molecular.

Patogenia, patologia e manifestações clínicas

Os seres humanos constituem os únicos hospedeiros naturais em que os meningococos são patogênicos. A nasofaringe é a porta de entrada desses microrganismos, onde eles fixam-se às células epiteliais com o auxílio dos pili. Podem fazer parte da flora transitória, sem causar sintomas. A partir da nasofaringe, os microrganismos podem alcançar a corrente sanguínea, causando bacteriemia; os sintomas podem assemelhar-se aos de uma infecção das vias respiratórias superiores.

A meningococcemia fulmimante é a mais grave, com febre alta e exantema hemorrágico (erupção cutânea que ocorre em consequência de doenças agudas ); podem ocorrer coagulação intravascular disseminada e colapso circulatório (síndrome de Waterhouse-Friderichsen). Durante a meningococcemia, ocorrer trombose de muitos vasos sanguíneos de pequeno calibre em muitos órgãos, com infltração perivascular e hemorragias petequiais.

Exames laboratoriais diagnósticos

Amostras: são obtidas de sangue para cultura, bem como de líquido cefalorraquidiano para esfregaço, cultura e determinações químicas.

Esfregaços: Os esfregaços do sedimento do líquido cefalorraquidiano centrifugado ou do aspirado de petéquias, corados pelo método de Gram, frequentemente revelam a presença de neissérias típicas no interior dos leucócitos polimorfonucleares ou fora das células.

Cultura: Os meios de cultura sem sulfonato sódico de polianetol mostram-se úteis para a cultura de amostras de sangue. As amostras de líquido cefalorraquidiano são semeadas em ágar-sangue aquecido (ágar chocolate) e incubadas a 37°, em atm 5% de CO2. O meio modificado de Thayer-Martin com antibióticos (vancomicina, colistina, anfotericina) favorece o crescimento das neissérias, inibe muitas outras bactérias e é utlizado para culturas de amostras da nasofaringe.

Sorologia: Os anticorpos contra polissacarídios meningocócicos podem ser determinados por testes de aglutinação em látex, hemaglutinação ou pela sua atividade bactericida.

Outras Neissérias

A Neisseria lactamica só raramente provoca doença, porém é importante em virtude de seu crescimento nos meios seletivos ( meio modificado de Thayer-Martin) utilizados para culturas de gonococos e meningococos de amostras clínicas, podendo ser cultivada de amostras da nasofaringe de 3-40% dos indivíduos, sendo mais frequentemente encontrado em crianças. Ao contrário de outras neissérias, a Neisseria lactamica fermenta a lactose.

A Neisseria sicca, a Neisseria subflava, a Neisseria cinera, a Neisseria mucosa e a Neisseria flavescens também são membros da flora normal das vias respiratórias, em particular da nasofaringe, e muito raramente causam doença. Algumas vezes, a Neisseria cinera assemelha-se à Neisseria gonorrhoeae, devido e seus padrões de fermentação de carboidratos.



Fonte: Microbiologia Médica, Brooks, Butel, Morse.






22 abril, 2010

Bacillus

Bacillus anthracis Gram stain. CDC.

A família Bacillaceae é constituída por uma coleção diversificada de bactérias compreendendo microrganismos aeróbios obrigatórios e anaeróbios estritos, cocos e bacilos, gram-positivos e gram-negativos. A característica que todos eles compartilham é a formação de endosporos (esporos internos à bactéria).

Os dois gêneros clinicamente importantes são os
(microrganismos aeróbios e anaeróbios facultativos, formadores de esporos) e (microrganismos anaeróbios estritos, formadores de esporos). Nos últimos anos, os foram divididos em seis gêneros, e é de se esperar que uma reorganização taxonômica semelhante aconteça com Clostridium.

Apesar da subdivisão dos Bacillus, mais de 50 espécies permanecem no gênero. Felizmente, as espécies que são de interesse médico são relativamente limitados (B. antbracis - Antraz; B. cereus - Gastrenterites, infecções oculares etc; B. mycoides - Gastrenterites, infecções oportunistas; B. tburingiensis - Gastrenterites, infecções oportunistas; Outras espécies de Bacillus - Infecções oportunistas).


Fonte: Microbiologia Médica, Murray.

20 abril, 2010

Helicobacter



Em 1983, foram identificados bacilos gram-negativos espiralados, semelhantes ao Campylobacter, em pacientes com gastrite tipo B. Os microrganismos foram inicialmente classificados como Campylobacter, mas foram subsequentemente reclassificados como um novo gênero, Helicobacter. A bactéria, Helicobacter pylori, foi associada a gastrite, úlcera péptica e adenocarcinoma gástrico, e linfomas de célula B do tecido linfóide associado a mucosa gástrica (MALT). Foram isoladas espécies de Helicobacter do estômago de muitos outros mamíferos (por exemplo, macacos, cães, gatos, leopardos, furões, camundongos, ratos). O trato intestinal é também colonizado por espécies de Helicobacter, incluindo Helicobacter cinaedi e Helicobacter fennelliae, que foram isolados de homens homossexuais com proctite, proctocolite ou enterite.




» Fisiologia e Estrutura

As espécies de Helicobacter são caracterizadas pela análise da sequência dos genes de RNAr 16S, pelos seus ácidos graxos celulares e pela presença de flagelos polares. Atualmente foram caracterizados 23 espécies, mas essa taxonomia está sofrendo rápidas modificações. As espécies Helicobacter possuem forma espiralada em culturas recentes, porem assumem formas cocóides em culturas mais velhas.

H. pylore é altamente móvel (motilidade em ziguezague) e produz quantidades abundantes de urease. A produção de urease é um achado consistente nas espécies de Helicobacter que colonizam o estômago de seres humanos, porém não é observada nas espécies encontradas no intestino. O gênero Helicobacter não fermenta nem oxida carboidratos, embora possa metabolizar aminoacidos por vias fermentativas. O crescimento de H. pylori e de outras espécies de Helicobacter necessita de meio complexo de cultivo suplementado com sangue, soro, carvão, amido ou gema de ovo, em condições microarifílicas (quantidade diminuída de oxigênio e aumentada de dióxido de carbono) e em uma faixa de temperatura variando de 30 a 37° C.


» Patogenia e Imunidade

A maioria das pesquisas relacionadas aos fatores de virulência nas espécies de Helicobacter focalizou o H. pylori. Múltiplos fatores contribuem para a inflamação gástrica, a alteração da produção do ácido gástrico e a destruição tecidual que são características da doença por H. pylori. A colonização inicial é facilitada pelo bloqueio da produção de ácido pela proteína inibidoa de ácido da bactéria e pela neutralização dos ácidos gástricos pela amônia produzida em decorrência da atividade da urease bacteriana. A atividade da urease bacteriana é aumentada pela proteína do choque térmico (HspB) que é co-expressada com urease na superfície bacteriana. Os microrganismos ativamente móveis podem então atravessar o muco gástrico e aderir às células epiteliais.

A lesão tecidual localizada é mediada por subprodutos da urease, mucinase, fosfolipases, e a atividade da citotoxina a urease e o lipopolissacarídio bacteriano, estimula a resposta inflamatória. H. pylori é protegido da fagocitose e da morte intracelular pela produção de superóxido dismutase e catalase. H. pylori também produz fatores que estimulam a secreção de interleucina 8 (IL-8), a produção de fator de ativação de plaqueta, que estimula a hipersecreção de ácido gástrico e a morte progamada das células epiteliais gástricas.

» Epidemiologia

Uma grande quantidade de informações sobre a prevalência de H. pylori tem sido coletada desde 1984, quando o microrganismo foi isolado pela primeira vez em cultura. A mais alta incidência de portadores é encontrada nos países em desenvolvimento, onde 70 a 90% da população são colonizadas, a maioria antes da idade de 10 anos. Ao contrário, países desenvolvidos, como os Estados Unidos, documentaram que a indicência de colonização por H. pylori em pessoas sadias é relativamente baixa durante a infância mas aumenta até aproximadamente 45% em adultos com mais idade.

Foi feita uma interessante observação a respeito da colonização por H. pylori. Esse microrganismo está nitidamente associado a doenças como gastrite, úlcera gástrica, adenocarcinoma gástrico e linfonomas MALT gástricos. Verificou-se que o tratamento de indivíduos colonizados ou infectados leva à redução dessas doenças. Entretanto, a colonização com H. pylori parece oferecer proteção contra a doença de refluxo gastroesofágico e adenocarcinomas do esôfago inferior e de cárdia gástrico. Assim, pode parecer incoveniente eliminar o H. pylori em pacientes sem sintomas da doença. Certamente, a complexa relação entre H. pylori e seu hospedeiro permanece para ser definida.

» Síndromes Clínicas

Atualmente, existem evidências clínicas definitivas de que o H. pylori é o agente etiológico em praticamente todos os casos de gastrite tipo B, e um cosenso geral de que o H. pylori constitui a causa da maioria das úlceras gástricas e duodenais, com a eliminação do microrganismo levando à cicatrização das úlceras e à redução significativa na incidência de recidiva.

A gastrite crônica é um fator de risco para o carcinoma gástrico, e assim não seria surpresa a constatação da existência de uma relação entre a infecção por H. pylori e o adenocarcinoma do corpo e do antro do estômago, mas não do cárdia (uma área do estômago que não é infectada pelo H. pylori). A colonização por H. pylori está também associada com linfomas de célula B associados ao tecido linfóide da mucosa gástrica. Apoiando a participação de H. pylori nessas neoplasisas, temos a observação de que a terapia direta contra a bactéria está associada com a regressão do linfoma.

H. cinaedi e H. fennelliae podem causar gastenterite e proctocolite com septicemia em homens homossexuais. H. cinaedi também causa celulite recorrente com febre e bactermia em pacientes imunocomprometidos.

» Diagnóstico Laboratorial

• Microscopia

H. pylori pode ser detectado por exame histológico de biopsias gástricas. Embora o microrganismo possa ser observado em amostras coradas com hematoxilina-eosina ou pelo corante de Gram, a coloração prata de Warthin-Starry é a mais sensível. A sensibilidade e a especificidade da análise histológica se aproximam de 100%.

• Teste da Urease

O teste da urease constítui o método mais rápido de decção de H. pylori. A atividade da urease pode ser medida diretamente na amostra clínica ou após o isolamento do microrganismo. A grande quantidade de urease produzida pelo microrganismo permite a detecção do subproduto alcalino em menos de 2 horas. A sensibilidade do teste direto, com amostras de biopsia, varia de 75 a 95%; entretanto, a especificidade se aproxima de 100%, e dessa maneira uma reação positiva constitui evidência convincente de infecção ativa.

• Cultura

H. pylori cresce apenas em meio enriquecido, suplementado com sangue, hemina ou carvão, em atmosfera microaerofílica. A suplementação do meio protege a bactéria dos radicais livres de oxigênio, peróxido de hidrogênio e ácidos graxos. As amostras não devem ser inoculadas em meios utilizados para o isolamento de campylobacter, uma vez que esses meios são inibidores. A cultura não é sensivel, a não ser que sejam obtidas múltiplas amostras de biopsias da muscosa gástrica. Além disso, o sucesso da cultura é influenciado pela experiência do microbiologista.

• Identificação

A identificação preliminar dos microrganismos isolados baseia-se em suas características de crescimento em condições seletivas, morfologia microscópica típica e detecção da atividade da oxidase, catalase e urease.

• Sorologia

A infecção pelo H. pylori estimula uma resposta imunológica humoral que persiste em consequência da exposição contínua à bactéria. Pelo fato de os títulos de anticorpos persistiram por muitos anos, o teste não poder ser utilizado para diferenciar uma infecção passada de uma infecção atual. Além disso, o título de anticorpo não se correlaciona com a gravidade da doença, nem com a resposta ao tratamento. Os testes são de utilidade, entretanto, para documentar exposição às bactérias, para estudos epidemiológicos ou para avaliação inicial de um paciente sintomático.

» Tratamento, Prevenção e Controle

Um grande número de antibiótico foi avaliado para o tratamento das infecções por H. pylori. A utilização de um único antibiótico associado com bismuto não foi eficaz. Os resultados mais satisfatórios na cura da gastrite ou úlcera péptica foram conseguidos com a combinação de um inibidor da bomba de prótons (por exemplo, omeprazol) e um ou mais antibióticos (por exemplo, tetraciclina, claritromicina, amoxicilina, metronidazol). Pode-se também adicionar bismuto.

Atualmente, múltiplos tratamentos estão sendo utilizados; entretanto, a terapia com a combinação de tetraciclina, metronidazol, bismuto e omeprazol por 2 semanas apresenta taxa de erradicação maior que 90%. O crescimento de resistência ao metronidazol pode necessitar a utilização de uma mistura antibiótica alternativa. As infecções causadas por H. cinaedi e H. fennelliae podem ser tratadas geralmente com ampicilina ou gentamicina.

Têm sido realizados esforços para desenvolvimento de uma vacina contra H. pylori. A urease e a proteína do choque térmico (HspB) são expressas unicamente na superfície da bactéria. Ainda não foi demonstrado o sucesso da utilização desses antígenos em uma vacina.




Fonte: Microbiologia Médica, Murray.



15 abril, 2010

Esterilização, Desinfecção e Anti-sepsia

→ Esterilização

Esterilização é a destruição total de todos os microrganismos, incluindo as formas mais resistentes como os esporos bacterianos, as micobactérias, os vírus não-envelopados (sem lipídios) e os fungos. A esterilização pode ser obtida com o uso de esterelizantes físicos, vapores de gases ou esterilizantes químicos.

Os esterilizantes físicos, como o calor úmido e o calor seco, são os métodos de esterilização mais comuns usados em hospitais e indicados para muitos materiais, exceto aqueles que são sensíveis ao calor ou que são constituídos de substâncias químicas tóxicas ou voláteis. A filtração é util para a remoção de bactérias e fungos do ar (filtros de ar com partóculas de alta eficiência[HEPA-High efficiency particulate air filters]) ou de soluções. Esses filtros são inadequados para remover vírus e algumas bactérias pequenas. A esterilização pela radiação ultravioleta ou ionizante (por exemplo, microondas ou raios gama) é também comumente utilizada. A limitação da radiação ultravioleta é necessidade de exposição direta.

O vapor de gás esterilizante mais comumente utilizando é o óxido de etileno. Apesar de ser altamente eficiente, existem regulamentos que restrigem o seu uso, uma vez que ele é extremamente tóxico. A esterilização com o formaldeído é também limitada pelo fato de essa substância ser carcinogênica. Seu uso é restrito primariamente à esterilização dos filtros HEPA. Vapores de peróxido de hidrogênio são esterilizantes eficazes devido à natureza oxidante do gás. Ele é usando para esterilização de instrumentos.


Uma variação é a esterilização com o gás plasma, na qual o peróxido de hidrogênio é vaporizado e são produzidos radicais livres reativos com frequência de microonda ou com energia de radiofrequência. Por ser um eficiente método de esterilização que não produz subprodutos tóxicos, acredita-se que a esterilização com ogás plasma substituirá muitas das aplicações do óxido de etileno. Outro vapor de gás esterelizante é o gás dióxido de cloro, que desnatura proteínas por oxidação. Embora sejam necessários estudos posteriores com esse método de esterilização, a falta de toxicidade também torna o gás dióxido de cloro uma alternativa atraente à esterilização pelo óxido de etileno.

Dois esterizantes químicos também foram utilizados ácido peracético e glutaraldeído. O ácido peracético, um agente oxidante, tem excelente atividade, e seus produtos finais (isto é, ácido acético e oxigênio) não são tóxicos. Contrariamente, há uma preucupação quanto à segurança com o uso do glutaraldeído, e cuidados devem ser tomados ao se manipuar essa substância química.

→ Desinfecção

Os microrganismos são também destruídos por procedimentos de desinfecção, embora o mais resistentes possam sobreviver. Infelizmente, os termos desinfecção e esterilizaçãoo são usados como sinônimos, o que pode resultar em alguma confusão. Iosso ocorre porque os processos dedesinfecção são classificados como sendo de níveis alto, intermediário e baixo. A desinfecção de alto nível pode geralmente ser aproximar da esterilização em relação à eficácia, enquanto mediário e muitos microrganismos podem sobreviver quando expostos à desinfecção de baixo nível.

A eficácia desses procedimentos é influenciada pela natureza do objeto a ser desinfetado, pelo número e resistência o organismo ou organismos contaminados, pela quantidade de material orgânico presente (que pode inativar o desinfectante), pelo tipo e concentração do desinfectante, além da duração e da temperatura de exposição.

Os desinfectantes de alto nível são usados para objetivos envolvidos em procedimentos invasivos que não podem suportar os procedimentos de esterelização (por exemplo, certos tipos de endoscópios, instrumentos cirúrgicos com plásticos ou outrosc omponentes que não podem ser autoclavados). A desinfecção desses e de outros objetos é mais eficaz se o tratamento for precidod pela limpeza da superfície para remover a matéria orgânica. Exemplos de desinfetantes de alto nível incluem o tratamento com calor úmido e o uso de líquidos como glutaraldeído, peróxido de hidrogênio, ácido peracético, dióxico de cloro e outros compostos de cloro.

Os desinfetantes de nível intermediário (isto é, alcoóis, compostos iodóforos, compostos fenólicos) são usados para limpar superfícies ou instrumentos que há pouca probabilidade de contaminção com esporos bacterianos e outros microrganismos altamente resistentes. Esses objetos foram denominados instrumentos ou dispositivos semicríticos e incluem endoscópios de fibra ótica flexíveis, laringoscópios, espéculos vaginais, circuito de respiração para anestesia e outros itens.

Os desinfetantes de baixo nível (isto é, os compostos quaternários de amônio) são utilizados para tratar instrumentos e dispositivos não-críticos, como manguitos de aparelhos de pressão, eletrodos de eletrocardiograma eestetoscópios. Embora esses itens entrem em contato com o paciente, eles não penetram nas superfícies mucosas ou em tecidos estéreis.


→ Anti-sepsia

Os agentes anti-sépticos (álcool, iodóforos, clorexidina) são usados para reproduzir o número de microorganismos na superfície da pele. Esses compostos são selecionados em relação à sua segurança e eficiência as bactérias; micobactérias; esporos bacterianos; fungos; vírus.

Embora os Alcoóis tendam a secar a superfície da pele devido à remoção dos lípidos, eles não são tóxicos e têm uma excelente atividade contra todos os grupos de organismos, exceto contra os esporos. Eles também não tem atividade residual e são inativados pela matéria orgânica. Assim, a superfície da pele devve ser limpa antes de o álcoo ser aplicado.

Os idóforos também são excelentes agentes anti-sépticos cutâneos, tendo uma faixa de atividade semelhante à dos alcoóis. Eles são ligeiramente mais tóxicos para a pele do que o álcool. tem limitada atividade residual e são inativados pela matéria orgânica. Os iodóforos e as preparações de iodo são frequentemente usados com alcoóis para desinfetar a superfície da pele

A clorexidina tem ampla atividade antimicrobiana, embora destrua os organismos de uma maneira mais lenta que a o álcool. Sua avitidade persiste, embora o material orgânico e os altos níveis de pH diminuam a sua eficácia


Leia também, Sumário dos Métodos Físicos Empregados no Controle do Crescimento Microbiano e Controle dos Microorganismos - Métodos Químicos de controle.


Fonte: Microbiologia Médica, Patrick R. Murray