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02 agosto, 2010

Células-tronco Pluripotentes

O que são Células-tronco pluripotentes?

Existem três tipos de células pluripotentes: as células-tronco embrionárias, as células-tronco de pluripotência induzida e as células de carcinoma embrionário.



→ Células-tronco embrionárias

Células-tronco embrionárias são células derivadas do blastocisto. Ao passarem por um cuidadoso processo de adaptação, passam a ser cultivadas em laboratório.

Estas células têm o potencial de se diferenciarem em qualquer célula de um organismo, como por exemplo neurônios e fibroblastos, a única exceção são as células que formam os anexos embrionários (placenta, entre outros), que não podem ser geradas a partir de células-tronco embrionárias.

Atualmente muitos pesquisadores utilizam estas células em seus laboratórios para realização de estudos em diversas áreas como Biologia do Desenvolvimento, Regeneração Tecidual, teste de fármacos, dentre outras. Já existem células-tronco derivadas de diversos organismos, como camundongos, primatas e humanos.




Picture Imagem: Terese Winslow, Caitlin Duckwall;
adaptada de: stemcells.nih.gov




→ Células-tronco de pluripotência induzida (iPS)

As células-tronco de pluripotência induzida (iPS) são células somáticas que passaram por um processo de reprogramação readquirindo características de células-tronco embrionárias.

Ao serem expostas a fatores específicos estas células somáticas reprogramam sua maquinaria e adquirem a plasticidade de uma célula pluripotente.



Muitos estudos ainda vem sendo feitos para comparar as iPS com as células-tronco embrionárias, verificando as similaridades e diferenças destas duas categorias de célula. A possibilidade de geração de células pluripotentes a partir de qualquer tipo celular abre um grande leque de possibilidades para a pesquisa, especialmente na área da pesquisa humana, uma vez que a geração destas células não envolve o uso de embriões.



Fonte: Lance-ufrj




16 junho, 2010

Nova Técnica de Radioterapia - Câncer de Mama

Nova técnica prevê apenas uma dose de radioterapia para pacientes de câncer de mama.

O câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil

Uma única dose de radioterapia durante a cirurgia para a retirada do câncer de mama se mostrou tão eficiente quanto a série de 15 a 35 sessões normalmente recomendadas após a operação, segundo um estudo britânico publicado na revista médica The Lancet.

Os médicos testaram a técnica em mais de 2.000 pacientes, acompanhadas ao longo de quatro anos. Se sua eficácia for comprovada, a técnica significaria a redução de filas, economia nos custos dos tratamentos e as pacientes sofreriam menos com os efeitos colaterais.

Segundo a fundação Cancer Research UK, o estudo pode ter um “grande impacto” para as pacientes.

» Precisão

O câncer de mama é o que mais causa morte entre as mulheres no Brasil, segundo o INCA, e nos países ocidentais é uma das principais causas da morte de mulheres.

A retirada do tumor é, normalmente, o primeiro passo no tratamento de câncer de mama, seguida pelas sessões de radioterapia para matar qualquer célula cancerígena remanescente.

Com a nova técnica, os médicos usam um aparelho de radioterapia móvel que pode ser inserido no seio durante a cirurgia e atingir um alvo específico, de onde foi retirado o tumor.

A pesquisa, liderada por médicos britânicos, mas realizada em nove países, mostrou que a reincidência do câncer em mulheres com mais de 45 anos de idade foi a mesma, independente da técnica utilizada – dose única ou múltipla de radioterapia.

Entre as mulheres que receberam apenas uma dose, houve seis reincidências. Entre as que receberam tratamento de radioterapia prolongado, cinco apresentaram reincidência. Mas a dose única evita danos potenciais a órgãos como o coração, pulmão e esôfago, que podem ocorrer quando a radiação é direcionada a todo o seio, afirmam os pesquisadores.A frequência de qualquer complicação ou grandes efeitos tóxicos foi semelhante nos dois grupos.

» Trauma

O oncologista Jeffrey Thobias, do University College London Hospitals (UCLH), que apresentou a primeira paciente a ser submetida à nova técnica com o oncologista Jayant Vaidya, disse:

“Acredito que a razão pela qual ela funciona tão bem é a precisão do tratamento. Ele erradica as células em uma área de altíssimo risco – a parte do seio de onde foi retirado o tumor”.

Vaidya, que também é oncologista do UCLH, afirmou que com o novo tratamento muitas mulheres não precisariam retirar seu seio. Josephine Ford, de 80 anos de idade, foi diagnosticada com câncer de mama em fevereiro de 2008 e tratada com a nova técnica três meses depois. A operação foi um sucesso e ela afirma que a dose única

“simplificou tudo e tornou o processo menos traumático”.

Apesar dos resultados otimistas, os médicos afirmam que a técnica só se aplica a pacientes com câncer de mama semelhantes aos tratados durante o estudo. Os médicos também afirmam que serão necessários vários anos até que a eficácia seja totalmente provada e o tratamento seja adotado em vários hospitais.


Fonte: BBC



02 outubro, 2009

Brasileiros pesquisam droga com potencial para tratar aids e tumores

Composto 100% nacional foi desenvolvido a um custo de US$ 10 milhões.

Giovana Girardi Da 'Unesp Ciência'

O G1 publica abaixo, com exclusividade, íntegra de reportagem da 2ª edição da revista “Unesp Ciência”. A publicação, mensal, foi lançada em setembro. Tem 48 páginas e tiragem de 25 mil exemplares. “Unesp Ciência” é uma iniciativa da Universidade Estadual Paulista que traz reportagens sobre os grandes temas da ciência mundial e nacional e sobre as pesquisas mais relevantes que estão sendo realizadas na instituição, em todas as áreas do conhecimento. Leia a íntegra da reportagem:

Foto: Eliana Assumpção/Unesp Ciência

Remédio produzido de forma alternativa por pesquisadores brasileiros oferece um novo modelo de baixo custo para o desenvolvimento de fármacos (Foto: Eliana Assumpção/Unesp Ciência)

As multinacionais farmacêuticas costumam propagandear que o custo do desenvolvimento de um novo remédio é da ordem de US$ 800 milhões. Fora perdas com fracassos e todo o gasto com marketing colocados nessa conta (que muitos dizem ser, na verdade, a maior parte), ainda é um valor que torna o desenvolvimento de fármacos originais uma atividade praticamente possível apenas às multinacionais de países ricos. Ao menos essa é a noção que se costuma ter.


'P-Mapa' mostrou, em experimentos com animais e estudos preliminares com humanos, ser capaz de reequilibrar o sistema imunológico abalado pelo ataque de tumores, vírus, bactérias ou protozoários, tornando-o mais forte para combatê-los

Uma história bem diferente está sendo contada por um grupo de cientistas brasileiros. De modo alternativo, sem apoio do governo ou da indústria, eles subverteram o modelo tradicional de pesquisa farmacológica e desenvolveram um composto 100% nacional, com potencial para tratar infecções virais (incluindo a aids), não-virais (tuberculose e malária) e tumores, a um custo estimado de US$ 10 milhões.

A diferença impressionante de valor é só o resultado mais prático de um longo processo de persistência, com erros, acertos, diversas portas na cara, desistências e retomadas que se estende desde a década de 1950, quando um médico de Birigui (noroeste de São Paulo) intrigado com fungos começou a testá-los na esperança de encontrar uma cura para o câncer.

Esquema da pesquisa é de rede aberta, similar às plataformas de desenvolvimento de software livre.

O trabalho de Odilon da Silva Nunes acabaria levando ao desenvolvimento do P-Mapa, medicamento que mostrou, em experimentos com animais e estudos preliminares com humanos, agir como imunomodulador. Ou seja, ele é capaz de reequilibrar o sistema imunológico abalado pelo ataque de tumores, vírus, bactérias ou protozoários, tornando-o mais forte para combatê-los. Essa habilidade foi confirmada em estudos conduzidos nos NIH (Institutos Nacionais de Saúde), dos EUA.

A pesquisa que começou isolada no laboratório caseiro de Odilon – sozinho ele bancava seus experimentos, o biotério, a fermentação dos fungos –, e por décadas enfrentou resistência das universidades, de agências de fomento e da indústria, hoje reúne cerca de 150 pesquisadores no Brasil (de instituições como Unesp e Unicamp) e no exterior, em um esquema de rede aberta de pesquisa que se assemelha às plataformas de desenvolvimento de software livre. Foi a saída encontrada para driblar as dificuldades de criar um remédio novo em um país sem essa tradição.

"O que sabemos sobre conhecimento nos mostra que quanto mais colaborativo for o processo de sua produção, maior será o avanço"

A Farmabrasilis, ONG criada por Iseu Nunes, filho de Odilon (morto em 2001), para coordenar a rede internacional de pesquisas, detém a patente do composto e o distribui para os interessados em fazer pesquisa. A droga foi colocada em domínio público, com as descobertas disponíveis a todos. O compromisso assumido pelos cientistas é que assim que todas as fases de pesquisa estiverem cumpridas, inclusive os testes clínicos, e o P-Mapa for aprovado pelas agências regulatórias, a propriedade intelectual e os royalties serão liberados sem custos desde que seja para uso em programas de saúde pública. “A regra é: recebeu de graça, dá de graça. Não é presente para multinacional”, afirma Iseu.

Nesse contexto, a equipe da Farmabrasilis resolveu direcionar as pesquisas para as moléstias que atacam populações mais pobres, as tais doenças negligenciadas, assim chamadas porque não ganham atenção da indústria. Em março deste ano, por exemplo, o fármaco foi apresentado como alternativa para o tratamento de tuberculose no 3º Fórum Mundial Stop TB. “Uma vez que o P-Mapa estimula o sistema imunológico, tomado junto com a medicação padrão pode aumentar sua eficiência, possivelmente também diminuindo a duração do tratamento, que hoje é de seis meses e é um dos fatores para seu abandono”, explica Iseu.

Essa alternativa vem sendo considerada um modelo que poderia ser seguido fora do Primeiro Mundo para solucionar suas carências de medicamentos. A possibilidade foi aventada em um estudo que agora está evoluindo para o doutorado na Unicamp. “O que sabemos sobre conhecimento nos mostra que quanto mais colaborativo for o processo de sua produção, maior será o avanço. Se não há interesse em deter o monopólio, mas em resolver um problema, quanto mais visões diferentes estiverem contribuindo, as chances de encontrar soluções criativas serão muito maiores”, afirma Lea Velho, professora do Departamento de Política Científico-Tecnológica e orientadora da pesquisa do jornalista Carlos Fioravanti.

“A descoberta do P-Mapa, a pesquisa sobre seus efeitos e seu desenvolvimento revelam como a produção de ciência em um país em desenvolvimento funciona ou poderia funcionar. (Mostram) que a descoberta e o desenvolvimento de medicamentos podem ser feitos em outro ambiente que não os estritamente controlados e dotados de recursos materiais e financeiros quase ilimitados das empresas farmacêuticas”, escreve o pesquisador em trabalho feito em 2007 na Universidade de Oxford.

História do P-Mapa

Fleming brasileiro
Para entender a importância da história do P-Mapa vale a pena voltar ao seu início, em 1954, quando o então jovem Odilon, recém-formado em Medicina na Universidade Federal do Paraná, voltou para sua cidade e iniciou as pesquisas. O interesse por fungos vinha da infância, quando ele observou funcionários da fazenda de café do pai curando feridas quando colocavam fungos sobre elas. A partir disso, passou a colecioná-los em qualquer lugar onde eles crescessem: madeira podre, pedaços de queijo, sangue. Depois preparava uma mistura e cobria ferimentos de animais com eles. Isso continuou até antes de ele ir para a faculdade, quando já tinha percebido que alguns fungos combatiam infecções e eram cicatrizantes.

"Por ser médico, ele privilegiava os trabalhos com seres vivos e, ao selecionar fungos que produziam extratos que ao mesmo tempo atuavam no câncer e não matavam os animais, chegou a um imunomodulador de amplo espectro de atuação e com baixa toxicidade"

Na volta a Birigui, a brincadeira de menino ganhou um objetivo. Odilon queria achar uma cura para o câncer. “Ele tinha uma teoria de que a doença surgiria por conta de um desequilíbrio iônico nas células e que seria possível combater a doença restabelecendo esse equilíbrio. Ele não conseguiu provar isso, mas essa ideia serviu como ferramenta para começar a desenvolver o produto”, conta Iseu.

O médico acreditava que o tumor teria uma carga negativa, de modo que um composto com carga positiva corrigiria o problema. Para ele, uma proteína que se ligasse a um metal, como o magnésio, poderia desempenhar esse papel. Sem ter formação em Química, deduziu que a melhor forma de obter uma substância assim era colocar os fungos para trabalhar para ele, “fazendo o papel de ‘químicos naturais’”, explica o filho. Na época, o único câmpus da região ficava em Araçatuba, a 15 km de Birigui, da Faculdade de Odontologia, posteriormente encampada pela Unesp. Ali Odilon entrou em contato com o patologista Celso Martinelli, que tinha interesse por câncer e o ajudou a estabelecer parâmetros científicos.

Iseu encampou o sonho do pai, Odilon, e criou a rede

que ampliou seus estudos (Foto: Arquivo pessoal)

Era o início de um longo trabalho em busca de um composto que pudesse atacar células tumorais sem afetar as saudáveis. No fundo de sua casa, Odilon mantinha um biotério com cerca de 30 camundongos inoculados com linhagens tumorais, onde experimentava o material. Ao longo das experiências, Iseu, que cresceu cuidando de camundongos, estima que foram testados mais de mil extratos.

Com o tempo ele isolou um extrato que reagia bem com magnésio e aparentemente causava a regressão de tumores e não era tóxico, uma vez que os animais tratados continuavam saudáveis. Em 1973, ele conseguiu extrair cristais puros do composto produzido a partir da fermentação do fungo e o chamou de SB-73 (SB de Streptomyces brasiliensis, o nome que ele deu para o fungo que estava usando).

Na sequência o produto foi usado para tratar cachorros com parvovirose, durante epidemia que ocorreu nos anos 1980. Cerca de 250 animais foram medicados, com uma taxa de recuperação de 95%. Galinhas com o vírus newcastle também apresentaram 100% de recuperação após serem tratadas por quatro dias com o remédio. Também obteve bons desempenhos com a regressão de cânceres e não conseguia entender como uma droga podia agir contra doenças tão diferentes.


Trabalho começou em 1954 em laboratório caseiro no interior de São Paulo

A grande sacada de Odilon, provavelmente não intencional, foi testar os extratos de fungos em camundongos com tumores, em vez de aplicá-los em placas de cultura de bactérias.

“Se ele fosse um químico, teria talvez chegado a um medicamento citotóxico, pois teria sido mais fácil trabalhar com experimentos in vitro. Por esse caminho ele teria selecionado fungos que matassem tumores em placas, porém com alta toxicidade. Por ser médico, ele privilegiava os trabalhos com seres vivos e, ao selecionar fungos que produziam extratos que ao mesmo tempo atuavam no câncer e não matavam os animais, chegou a um imunomodulador de amplo espectro de atuação e com baixa toxicidade”, conta Iseu. “Odilon não era um maluco no fundo do quintal, nem um pajé. O que ele fazia não tinha nada de acaso. Ele tinha método científico”, defende.

Odilon, no entanto, não conseguia ir adiante. Mesmo tendo o método, ele não falava na linguagem da ciência (ele dizia que não queria ficar amarrado à burocracia dos cientistas). Como escreve Fioravanti em seu trabalho, o “erro estratégico” de Odilon foi não ter publicado nada e permanecido em silêncio por décadas. Quando procurava universidades ou indústrias químicas na região de Birigui, não era bem recebido, uma vez que só levava na mão “um pó branco e imagens de camundongos curados”. Era visto sem credibilidade.

Desde a Segunda Guerra Mundial, a penicilina, também obtida a partir de um fungo, ganhava o mundo, e Odilon via no médico Alexander Fleming, descobridor da substância, um “modelo de persistência”, como conta Iseu. O inglês também enfrentou o ceticismo da academia, e sua pesquisa só foi para a frente após receber o apoio de Howard Florey e Ernest Chain, da Universidade de Oxford, que publicaram os achados e sistematizaram sua produção. Também havia ali um quesito “necessidade” chamado guerra. Infecções estavam matando mais os soldados que o combate em si, e os Estados Unidos tinham interesse em financiar pesquisas de novas drogas. Tanto que foi lá, e não na Inglaterra, que a penicilina realmente se desenvolveu e virou remédio.

Alianças e a AIDS

Em meados da década de 1980, Iseu tinha acabado de se formar em Administração de Empresas na Fundação Getulio Vargas quando foi chamado de volta a Birigui. Odilon pedia ajuda. “Eu disse que tínhamos de procurar uma universidade, e ele riu: ‘Você é um gênio mesmo. Só que eu estou procurando uma universidade há 20 anos’. Apesar do sarcasmo, me deixou tentar”, conta Iseu.

"Estávamos pesquisando em um deserto absoluto"

Ele resolveu procurar a Unicamp para fazer a caracterização do composto. Pediu a seu pai que escrevesse um artigo com os resultados e o levou com amostras e fotos. “Perguntei quem poderia fazer a análise química e soube do Nelson Durán”, lembra. O chileno radicado no Brasil se empolgou com a história e concordou em participar voluntariamente. Não havia aqui um envolvimento da instituição, mas do pesquisador. Ele enviou o composto para o Chile para analisá-lo e entrou no time da família Nunes.

Juntos, Iseu, Durán e Odilon criaram uma ONG em 1987 para impulsionar a pesquisa, o embrião do que seria a Farmabrasilis anos depois. Mesmo depois de caracterizado, o composto teria de passar por muitas fases que eles sozinhos não teriam como desempenhar. E não havia no país estrutura formal de desenvolvimento de fármaco, então começaram a procurar parceiros. “Não tínhamos dinheiro, não havia projeto oficial que bancasse esse tipo de pesquisa, a indústria nacional não investia nisso, a multinacional também não porque o Brasil não reconhecia patente, então estávamos pesquisando em um deserto absoluto”, afirma Iseu. “Concluímos que se chegássemos ao final de um produto farmacêutico, sabe-se lá quando, teríamos criado competência no desenvolvimento de fármaco no país.”

Nos anos seguintes eles atrairiam dezenas de pesquisadores. “Esse modelo de estrutura mostrou que é possível se tivermos gente competente disposta a trabalhar. Fazer o bem é uma grande estratégia de convencimento. Criamos uma rede quando não existia a ideia de rede”, complementa Durán, diretor-científico da Farmabrasilis.

De volta à Unesp, em 1990, conseguiram confirmar a baixa toxicidade do composto com testes com animais do Núcleo de Procriação de Macacos-Prego, câmpus de Araçatuba. “Foram aplicadas nos macacos doses cem vezes maiores que as previstas para uso em humanos e os animais não tiveram efeito colateral. Toda droga é tóxica, mas essa é bem pouco”, afirma o anatomista José Américo de Oliveira, coordenador do núcleo.

A fase pré-clínica foi fundamental para que o grupo alcançasse seus principais resultados no ano seguinte, com pacientes com aids. Naquele momento a epidemia explodia, só existia o AZT e o país ainda não o importava para o sistema de saúde. Era a “necessidade” que o remédio de Odilon precisava.

"A encrenca ficou gigantesca, as pessoas vinham pedir o remédio.
Acabamos fechando as portas"

Um grupo de médicos do Centro Corsini, em Campinas, que cuidava de pacientes com o vírus da aids, se interessou pelo composto. “Como não era tóxico e naquela época aids era sentença de morte, foi feito um limitado ensaio clínico com 25 pacientes”, explica Iseu. Os resultados foram “notáveis”, lembra ele. O nível de células T-4, destruídas pelo vírus, voltou a subir, os pacientes ganharam peso e as infecções oportunistas desapareceram.

Apesar dos resultados, a aids não foi a “Segunda Guerra” do P-Mapa. Os governos estadual e federal, apesar de terem mostrado interesse inicialmente, não deram cabo ao desenvolvimento, decidindo por fim importar o AZT. A indústria continuou ausente e os pesquisadores não conseguiram evoluir para a fase 2 de testes clínicos. Nessa altura, no entanto, o composto tinha ganhado a imprensa, o que foi o caos, lembra Iseu. “A encrenca ficou gigantesca, as pessoas vinham pedir o remédio. Acabamos fechando as portas.”

P-Mapa global

O impacto foi tamanho que a rede se desmantelou, e as pesquisas, se não chegaram a parar totalmente, rarearam bastante. Só voltariam a deslanchar anos depois, quando Iseu e Durán criaram a Farmabrasilis, em 2000, e ampliaram o efeito da molécula. “Decidimos abrir de vez a pesquisa, não mais contar com indústria, com governo, com ninguém”, afirma Iseu.


Hamsters que foram inoculados com câncer e tratados com P-Mapa praticamente não desenvolveram a doença

Organismos internacionais se interessaram e passaram a bancar as pesquisas, em especial os NIH. Foi com eles que se comprovou o mecanismo de ação do medicamento, já evoluído e batizado como P-Mapa. Os testes mostraram que o composto induz as células imunológicas a produzirem moléculas conhecidas como interferon-gama, que apresentam atividades antitumorais e antivirais. “O P-Mapa é um modificador de resposta biológica, podendo aumentar ou diminuir a resposta do sistema imunológico que esteja deficiente em alguns mecanismos”, explica Durán.

Um dos resultados mais promissores foi apresentado recentemente em um trabalho conduzido no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid, na sigla em inglês) e publicado na Antiviral Research. O estudo foi feito com camundongos infectados com o letal Punta Toro Virus, que destrói o fígado do portador.

O desempenho do P-Mapa foi comparado com o Ribavirin, medicamento mais comum usado contra hepatite C. Ambos foram eficazes em manter 100% dos animais vivos, mas o composto brasileiro foi aplicado em dose única, 24 horas após a infecção, enquanto a droga padrão começou a ser aplicada 4 horas antes e foi injetada ao longo de cinco dias.

Para Iseu, os dados são promissores porque podem trazer uma alternativa para o tratamento de hepatite C. “Se o P-Mapa revelou-se tão bom quanto o Ribavirin, os dados permitem pensar que no futuro ele pode ser proposto para uma utilização conjunta de tratamento da doença”, diz. Há duas vantagens. O Ribavirin é administrado junto com interferon exógeno, que atua como imunomodulador, mas apresenta efeitos tóxicos. O P-Mapa aplicado como adjuvante poderia reduzir as doses dos dois remédios, diminuindo os efeitos indesejáveis e também o custo.

Na Unesp, três estudos estão sendo conduzidos pela equipe de Renata Callestini Felipini, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba, que foi aluna de Celso Martinelli e desde a graduação queria estudar o P-Mapa. A patologista bucal busca o efeito da droga em outras doenças: diabetes, osteoporose e câncer bucal. Os resultados obtidos até o momento são promissores.

Os hamsters que foram inoculados com câncer e tratados com P-Mapa praticamente não desenvolveram a doença, em comparação com o grupo controle. A ideia era checar se o medicamento seria capaz de evitar o surgimento da doença, então ele foi aplicado ao mesmo tempo em que a substância carcinogênica. Após 22 semanas, os animais medicados ou não desenvolveram nenhum tumor visível ou tiveram uma doença bem menos agressiva que o grupo controle. Ainda falta avaliar as modificações microscópicas.

"É possível fazer quando se tem vontade, sem melindres. Afinal, ciência não tem quintal. O conhecimento não é meu"
Nos ratos em que foi induzida a diabetes, a droga foi aplicada após uma semana, e os resultados iniciais apontaram uma redução significativa do nível de glicemia. “Se extrapolássemos para humanos com diabete tipo 1, que aplicam insulina, por exemplo, de três a cinco vezes por dia, a redução poderia levar a uma diminuição da dosagem”, explica Renata. O resultado sugere que o P-Mapa pode ter outros mecanismos de ação. Como o composto atua no organismo, em vez de na doença (a melhora observada é indireta), as aplicações podem ser as mais variadas.

Um dos problemas da diabetes é que ela causa alterações no processo inflamatório e reparatório, prejudicando a cicatrização, o que torna complicada, por exemplo, uma cirurgia odontológica. Os pesquisadores querem checar agora como fica esse processo após a extração de um dente. “As células que fazem a reparação são células de defesa, então vamos ver se um imunomodulador pode ajudar.”

Assim como a rede global do P-Mapa, ela própria coordena uma mini rede no câmpus para pesquisar em tantas frentes.

“É possível fazer quando se tem vontade, sem melindres. Afinal, ciência não tem quintal. O conhecimento não é meu, é nosso.”





Fonte: Globo.G1 - Ciência e Saúde.

18 setembro, 2009

Falta de proteína exclusiva do cérebro desencadeia epilepsia

Introdução

Os sinais neurais “enlouquecem” em camundongos sem uma proteína localizada apenas no cérebro, causando ataques epilépticos em animais ainda com pouco tempo de vida. Pesquisa da Universidade de Medicina de Berlim detalhou o que ocorre quando a proteína codificada pelo gene PRG-1 se perde e revela um importante mecanismo de sintonia fina para as funções cerebrais. O artigo foi divulgado em 17/09/2009 pela revista especializada “
Cell”.

Os cientistas mostraram que a “influência calmante” do PRG-1 no cérebro depende da interação adequada com uma classe particular de lipídios, conhecidos como fosfolipídios, que atuam como importantes sinalizadores celulares. A equipe, liderada por Robert Nitsch, investigou se mudanças na sinalização via fosfato lipídico e alterações funcionais do PRG-1 podem ser causas ainda não reconhecidas da epilepsia.

A Equipe de Cientistas

Nitsch e seus colegas foram os primeiros a descobrir a nova classe de proteínas PRG e ficaram particularmente intrigados pelo padrão particular de atividade do PRG-1: ele não aparece em nenhum outro lugar do corpo, nem mesmo em outros pontos do cérebro. Ele só dá as caras nos terminais de um só tipo de neurônio. “A maioria das moléculas são mais ou menos localizadas na maioria das células”, explicou Nitsch. “Algumas são mais confinadas, mas apenas um grupo muito pequeno é confinado em tipos particulares de células em organismos particulares.”

O Estudo

No novo estudo eles demonstraram que o camundongo com deficiência de PRG-1 desenvolve convulsões muito severas por causa de alterações na atividade cerebral. Embora as conexões neurais no cérebro dos animais tenham aparentado estar completamente normais em sua estrutura, estavam excitáveis ao extremo. Quando o PRG-1 foi restaurado em neurônios específicos, as atividades neurais voltaram ao normal.

A habilidade moderadora do cérebro foi perdida quando a porção do PRG-1 que interage com o lipídio conhecido como ácido lisofosfatídico (LPA) foi alterada. O LPA, em si, não é um neurotransmissor, mas aparentemente promove sintonia fina da liberação de glutamato, que é o mais prevalente dos mensageiros químicos cerebrais. Sem glutamato, as funções do cérebro podem simplesmente parar. O LPA atua no lado remetente das sinapses, enquanto o PRG-1 atua como recipiente.



Fonte:
Ciência e Saúde - G1
Sciencedirect

17 setembro, 2009

Cientistas curam daltonismo em macacos com terapia genética

Introdução ao estudo

Pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade da Flórida usaram terapia genética para curar micos-de-cheiro (Saimiri sciureus) de daltonismo – falha na percepção de certas cores, a desordem genética mais comum em humanos. O estudo foi publicado 16/09/2009, na revista “Nature”.


De acordo com William Hauswirth, professor de genética molecular oftalmológica da Universidade da Flórida, adicionaram sensibilidade para o vermelho às células cônicas (responsáveis pela visão das cores e pela visão central) em animais que nasceram com uma condição que é similar ao daltonismo. Foram capazes de curar uma doença cônica em um primata, e que isso pode ser feito com muita segurança.

“Cremos que a tecnologia seria útil na correção de muitas desordens de visão diferentes”, disse Jay Neitz, professor de oftalmologia da Universidade de Washington.

Técnica

Os cientistas usaram uma técnica que usa um adenovírus inofensivo para “entregar” genes corretivos que produzem uma determinada proteína. Neste caso, os pesquisadores queriam produzir uma substância chamada opsina de onda longa – proteína que age na retina para produzir pigmentos sensíveis ao vermelho e ao verde.


Daltonismo

No tipo mais comum de daltonismo, há incapacidade de distinguir vermelho ou verde, ou ambos. A doença foi descoberta em 1798 pelo químico inglês John Dalton, que percebeu que não tinha sensibilidade a cores e publicou o primeiro estudo sobre o assunto.


Mesmo em tipos mais comuns de cegueira, como a degeneração macular relacionada à idade e a retinopatia diabética, a visão poderia ser potencialmente restaurada por meio do tratamento genético centralizado nas células cônicas, disse Hauswirth.




Fonte:
Ciência e Saúde - G1
Nature

09 setembro, 2009

Mecanismo da Inflamação


Mecanismo da Inflamação

A inflamação é uma reação do tecido vivo vascularizado a uma injuria local, ou seja, é o mecanismo de defesa (resposta protetora normal) do organismo contra uma lesão tecidual causada por agentes físicos (trauma mecânico, radiação, calor, frio), químicos (substâncias irritantes, álcalis e outros) ou biológicos, provocada por microorganismos tais como fungos, bactérias, vírus ou protozoários. No processo de inflamação, células imunologicamente competentes são acionadas e agem no sentido de inativar ou destruir microrganismos invasores, remover substâncias irritantes e proteínas antígenas, além de iniciar a reparação tecidual. Esse processo possui quatro sinais característicos, descritos há mais de 2000 anos por CELSUS: rubor, calor, tumor e dor. Quando o processo reparatório se completa, naturalmente o processo inflamatório e seus sinais desaparecem (Zanini & Oga,1994).

Muito embora este mecanismo de defesa seja geralmente benéfico, efeitos maléficos indesejáveis são comuns. Estes são ocasionados por uma resposta excessiva que pode causar lesão tecidual progressiva, como por exemplo, no caso das artrites, onde o processo inflamatório leva à destruição do osso e da cartilagem, comprometendo a função articular. Em tais casos, fármacos antiinflamatórios ou imunossupressivos podem ser necessários para modular o processo antiinflamatório.

O Processo Inflamatório

Caracteriza-se pela sua complexidade e dinamismo, sendo multimediado com a participação de eventos celulares e humorais interdependentes, podendo manifestar-se de forma diversa tanto no tocante à duração quanto na intensidade da resposta inflamatória, que por sua vez depende do tipo de injúria ou estímulo nocivo. Basicamente, a reação inflamatória aguda caracteriza-se por dilatação arteriolar, aumento de permeabilidade vascular, acúmulo de leucócitos e dor. Os leucócitos são atraídos ao local da lesão por mediadores inflamatórios com atividade quimiotática ( Atividade de ação atrativa ou repulsiva demonstrada por certas células vivas em relação a outras células ou substâncias que exercem uma influência química), denominados mediadores químicos.

Mediadores Químicos Específicos

Os mediadores químicos específicos variam de acordo com o tipo de processo inflamatório. Eles podem ser aminas, como a histamina e a 5-hidroxitriptamina; lipídios, como as prostaglandinas; pequenos peptídeos, como a bradicinina, e peptídeos maiores, como a interleucina-1. A descoberta dessa ampla variedade de mediadores químicos veio esclarecer um aparente paradoxo, onde um fármaco antiinflamatório ao interferir na ação de um mediador particularmente importante em um tipo de inflamação, não afeta processos inflamatórios independentes do mediador-alvo desse fármaco.

A Inflamação

É desencadeada pela liberação dos mediadores químicos originados nos tecidos lesados e nas células migratórias, que provocam distúrbios na membrana celular ocasionando a ativação da fosfolipase A2 e liberação de ácido araquidônico e seus metabólitos, PAF-acéter (fator ativador de plaquetas) e enzimas lisossômicas. Essas enzimas têm potente atividade citotóxica e destroem células vizinhas, liberando assim novas enzimas. O metabolismo do ácido araquidônico dá origem a inúmeras substâncias biologicamente ativas como prostaglandinas (PGs), tromboxanas (TXs), ácido hidroxieicosatetraenóicos (HETEs) e hidroperoxieicosatetraenóicos (HPETEs), leucotrienos (LTs), lipoxinas (LXs) e ácidos epoxieicosatetraenóicos (EETs), que tem importante papel na fisiopatologia da inflamação.

A Resposta Inflamatória Sistêmica

Todo trauma, grande cirurgia ou queimadura, choque prolongado ou hipotermia induz uma resposta inflamatória com graus variados de severidade, cuja etiologia não está necessariamente ligada à infecção. Esta inflamação é em geral de difícil identificação, pelo fato de não haver um consenso nas definições dos sintomas observados. Com o intuito de compreender melhor o que se entende por inflamação, o American College of Chest Physicians desenvolveu uma série de definições de maneira que o quadro da reação inflamatória poderia ser identificado mais facilmente em seus múltiplos aspectos (3,4).

Infecção: Fenômeno microbiológico caracterizado por uma resposta inflamatória à presença de microrganismos ou a invasão de um tecido hospedeiro normalmente estéril por estes microrganismos.

Bacteremia: A presença de bactérias viáveis no sangue.

SIRS: A resposta inflamatória sistêmica a uma variedade de agressões clínicas severas que se manifesta por duas ou mais destas condições:

1. temperatura corporal > 38°C ou <>
2. freqüência cardíaca >90 batidas por minuto;
3. freqüência respiratória > 20 inspirações por minuto ou PaCO2 <32mmhg;
4. contagem de glóbulos brancos >12000/cumm, <4000/cumm>10% das formas imaturas.

A Ação Antiinflamatória de Muitos Fármacos

Acontece pela inibição da síntese das PGs, que são ácidos graxos insaturados contendo 20 átomos de carbono e uma estrutura cíclica incorporada (Estes compostos são também denominados eicosanóides; o prefixo “eicosa” refere-se aos 20 átomos de carbono), e o entendimento da biossíntese desta substância é fundamental para a compreensão da ação desses fármacos antiinflamatórios. As PGs e os compostos correlatos são produzidos em quantidades ínfimas em potencialmente todos os tecidos. Em geral agem diretamente nos tecidos onde são sintetizados, sendo rapidamente metabolizados a produtos inativos em seus sítios de ação. Assim, as PGs não circulam no sangue em concentrações significativas. As PGs são sintetizadas a partir de um precursor primário, o ácido araquidônico. Este ácido é liberado dos fosfolipídeos das membranas celulares pela ação da fosfolipase A2, através de um processo controlado por hormônios e outros estímulos.


04 setembro, 2009

Pó de Guaraná

GuaranáDa esquerda para a direita: sementes descascadas, pó e sementes torradas de guaraná.

O guaraná é um produto elaborado com as sementes da Pauilinia cupana, planta da Amazónia. As principais ações deste produto no organismo devem-se as metilxatinas, especialmente a especialmente a trimetilxatina ou cafeína, as quais conferem propriedade cardiotônicas e estimulantes do sistema nervoso central (SNC).

Tônico estimulante em função do conteúdo de cafeína. Devido ao seu elevado teor de cafeína, que estimula o SNC, aumenta sobremaneira o poder de concentração, é bastante utilizado por estudantes, é também ideal como estimulante nos casos de cansaço, fraquezas em geral, indisposição, estresse físico e mental, prisão de ventre, eliminação de gases digestivos, problemas geriátricos e como preventivo do envelhecimento precoce. Entretanto, pessoas cardíacas ou hipertensas somente deve usar sob supervisão médica. Também não é recomendada para indivíduos com úlcera péptica ativa.


Segundo o Plantamed, tem-se as seguintes características e propriedades:


Nome científico: Paullinia cupana Kunth.

Família:
Sapindaceae.


Sinônimos botânicos: Paullinia crysan, Paullinia sorbilis Mart.


Outros nomes populares:
uaraná, guanazeiro, guaranauva, guaranaína; guarana (inglês), guaraná (espanhol), guaranà (italiano), guaranastrauch (alemão).


Constituintes químicos: alcalóides (teobromina (flor, folha e caule), teofilina e guaranina), ácido cafeotônico, ácido málico, amido, adenina, ácido tânico, cafeína, catequina, colina, dextrina, guaranatina, glicose, hipoxantina, mucilagem, óleo fixo, pectina, pigmento vermelho, reponina, resina, saponina, tanino, teofilina, timbonina, xantina.

Propriedades medicinais: adstringente, afrodisíaca, analgésica, antibacteriana, antiblenorrágica, antidiarréica, anti-esclerótico, antitérmica, aperiente, cardiotônico, desinfetante, diaforético, diurética; estimulante físico, psíquico e do sistema nervoso; febrífugo, refrigerante, regulador intestinal, retardador da fadiga, revigorante, sudorífera, tônica, vasodilatadora.

Indicações: anorexia, arteriosclerose, atonia, cefaléia, depressão, desgaste físico e mental, diarréia, disenteria, dispepsia, dor muscular, enxaqueca, estômago, estresse, fadiga física e mental, fadiga motora e psíquica, febre, flora intestinal, função cerebral, gases, hemicrania (dor em um dos lados da cabeça), hemorragia, impotência sexual, infecções, males do estômago, mialgia, prevenir esclerose, prevenir insolações, prisão de ventre, problema gastro-intestinal, raciocínio, tonificar o coração.

Parte utilizada: sementes.

Contra-indicações/cuidados: crianças, mulheres gestantes ou que amamentem, cardíacos e hipertensos devem evitá-lo. Não tomar à noite pois pode tirar o sono.

Efeitos colaterais: devido à teobromina, teofilina e guaranina (análogas à cafeína), pode causar dependência física e psicológica. Essas substâncias agem nos receptores do sistema nervoso central (SNC) como as anfetaminas e a cocaína, entretanto, seus efeitos são bem mais fracos. Usado a longo prazo ou em doses excessivas pode causar insônia.

21 maio, 2009

Terpenos

A melhor forma de explicar Terpeno é exemplificar o que acontece com a natureza.

Numa floresta existem diversas e constantes situações de decomposição: folhas, cascas, árvores, frutos, flores e animais mortos. Apesar de tudo isso, ainda podemos sentir o ar da floresta leve e com agradável sensação de conforto, o solo natural e sem aspecto poluído ou gorduroso.


Tecnologia de Terpenos e suas Aplicações
Aspectos Gerais


Terpenos (ou isoprenóides, ou terpenóides), formam uma subdivisão de classe dos prenil-lipídios (terpenos, prenilquinonas, e esteróis), representando o grupo mais antigo de produtos de pequenas moléculas sintetizado por plantas e provavelmente o grupo mais difundido de produtos naturais.
Terpenóides pode ser descrito como terpenos modificados onde são movidos ou removidos grupos metila, ou são adicionados átomos de oxigênio. Inversamente, alguns autores usam o termo “terpenos”, mais amplamente para incluir o terpenóides.


Durante século XIX, trabalhos químicos com terebintina acabaram por levar à denominação de “terpene” os hidrocarbonetos com a fórmula geral C10H16. Estes terpenos são frequentemente encontrados em óleos essenciais das plantas e contém sua quintessência, a fragrância de planta.
Eles estão universalmente presentes em pequenas quantidades em organismo vivos, onde desempenham numerosos papéis vitais na fisiologia das plantas bem como funções importantes nas membranas celulares. Por outro lado, eles também são em muitos casos acumulados, apresentando extraordinária variedade de estruturas, possivelmente devido a um papel de comunicação, defesa ou mesmo evolucionário, nos vegetais.
Eles podem ser definidos como um grupo de moléculas cuja estrutura está baseada em um número definido de unidades de isoprênicas (metil-buta-1,3-dieno, com 5 átomos de carbono).

Estrutura do Terpeno

Terpenóides apresentam grande diversidade, mas todos se originam pela condensação do isopentenil-difosfato (IPP) como o dimentil-alil-difosfato (DMAPP) produzindo o geranil-pirofosfato (GPP).
Uma classificação racional dos terpenos foi estabelecida, baseada no número de unidades isopreno incorporadas no esqueleto molecular básico, o que a tabela abaixo apresenta.

Reação de Produção do GPP

Classificação de Terpenos

Muitos terpenos são hidrocarbonetos, mas estruturadas contendo oxigênio como álcoois, aldeídos ou cetonas, também são encontradas. Estes derivados freqüentemente são denominados terpenóides.
Mono e sesquiterpenos são os principais componentes dos óleos essenciais, enquanto os outros terpenos são componentes de bálsamos, resinas, ceras e borrachas.


Também são encontradas unidades isoprênicas dentro de estruturas de outras moléculas naturais. Assim, alcalóides indólicos, várias quinonas (vitamina K, E), vitamina A obtida a parti do β-caroteno, fenóis, álcoois (também conhecidos como terpenóis ou poliprenóis), também contém fragmentos terpênicos.
De acordo com Bohlmann J et al. (PNAS 1998, 95, 4126) há mais de 1.000 monoterpenos, mais de 7.000 sesquiterpenos e mais de 3.000 diterpenos.
Dependendo da família, os óleos voláteis, cujos constituintes são na sua maioria os terpenos, podemos ocorrer em estruturas secretoras especializadas, tais como em pêlos glandulares, células parenquimáticas diferenciadas, canais oleíferos ou em bolsas lisígenas.


Podem estar estocados em certos órgãos, como nas flores, folhas ou ainda nas cascas dos caules, madeiras, raízes, rizomas, frutos ou sementes. Embora todos os órgãos de uma planta possam acumular óleos, sua composição pode variar segundo a localização.
Óleos voláteis obtidos de diferentes órgãos de uma mesma planta podem apresentar composição química, caracteres físico-químicos e odores bem distintos. Cabe lembrar que a com posição química de um óleo volátil, extraído de um mesmo órgão de uma mesma espécie vegetal, pode variar significativamente, de acordo com a época, condições climáticas e solo.


As substâncias odoríferas em plantas, na sua grande maioria terpenos, foram consideradas por muito tempo como “desperdício fisiológico”, ou mesmo produtos de desintoxicação, como eram vistos os produtos do metabolismo secundário. Atualmente, considera-se a existência de funções ecológicas, especialmente como inibidores da germinação, na proteção contra predadores, na atração de polinizadores, na proteção contra a perda de água e aumento da temperatura, entre outras.


Existem trabalhos demonstrando que a toxidade de alguns componentes dos óleos voláteis constitui uma proteção contra predadores e infestantes. Mentol e mentona, por exemplo, são inibidores do crescimento de vários tipos de larvas. Também existem evidências de que alguns insetos utilizam óleos voláteis seqüestrados de plantas para defenderem-se de seus predadores. Assim, os vapores de certas substâncias como citronelal (utilizado por formigas) e α-pineno (utilizado por cupins) podem causar irritação suficiente em um predador para fazê-lo desistir de um ataque. Trabalhos de pesquisa indicam a existência de funções diversificadas para óleos voláteis, devido aos seus componentes terpênicos, em parte determinadas pelas relações como o meio, o que sugere ampla variação, de acordo com o ambiente.


Os métodos de extração de terpenos, que necessariamente implicam a extração de óleos essenciais, voláteis, variam conforme a localização do óleo na planta e com a proposta de utilização do mesmo. Os mais comuns estão sumarizado a seguir.
Enfloração (Enfleurage): Esse método já foi muito utilizado, mas atualmente é empregado apenas por algumas indústrias de perfumes, no caso de plantas com baixo teor de óleo, mas de alto valor comercial. É empregado para extrair óleo volátil de pétalas de flores (laranjeiras, rosas); as pétalas são depositadas, a temperatura ambiente, sobre uma camada de gordura, durante certo período de tempo. Em seguida, estas pétalas esgotadas são substituídas por novas até a saturação total, quando a gordura é tratada com álcool. Para se obter o óleo volátil, o álcool é destilado à baixa temperatura e o produto assim obtido possui alto valor comercial. Pouco se aplica, no entanto à produção de terpenos isolados ou concentrados a partir do óleo essencial.


Arraste por vapor de água: Os óleos voláteis possuem pressão de vapor mais elevada que a da água, sendo por isso arrastados pelo vapor. Em pequena escala emprega-se o aparelho de Clevenger. O óleo volátil obtido, após separar-se da água, deve ser seco com Na2SO4 anidro. Preferencialmente, esse método mais utilizado para extrair óleos de plantas frescas. Sem dúvida o método mais utilizado na indústria, que permite a obtenção de terpenos.


Extração com solventes orgânicos: Os óleos voláteis, quando extraídos por solvente, exigem solvente apolares (éter, éter de petróleo ou diclorometano) que, entretanto, extraem outros compostos lipofílicos também. Por isso os produtos assim obtidos raramente possuem alto valor comercial. Quando o objetivo não é o óleo essencial a ser comercializado in natura, mas para posterior processamento e obtenção de derivados terpenóides, o método não encontra restrições.


Prensagem: Esse método é empregado para a extração dos óleos voláteis de frutos críticos. Os pericarpos desses frutos são prensados e a camada que contém o óleo volátil é então separada. Posteriormente, óleo é separado da emulsão formada com água através de decantação, centrifugação ou destilação fracionada. Grande parte dos terpenos utilizados industrialmente, na produção de derivados químicos, vem de fontes críticas através deste processo.
CO2 Supercrítico: Um dos métodos mais modernos de extração, ainda apresenta custo e investimentos significativamente superiores aos métodos concorrentes, mas suas vantagens na conservação de certos compostos, apontam para o uso cada vez maior.

Algumas Estruturas de Terpenos


Propriedades e Atividades
A grande variedade de estruturas químicas que os terpenos apresentam, assim com as diversas funções biológicas que desempenham, apontam para um considerável número de propriedades e atividades biológicas a serem consideradas. Em princípio, podem ser divididas em propriedades físico-químicas e atividades biológicas.


A principal propriedade físico-química de interesse é a sua solvência. Terpenos em geral são excelentes solventes, apresentando constante dielétrica 2,2 e 6,8.
As atividades biológicas de terpenos distribuem-se dentro de vários grupos. Devem ser citadas: bactericida bacteriostática, fungicida, antiviral, antiparasitária, inseticida, analgésica, entre muitas outras importantes.
Os terpenos são responsáveis pelas características aromáticas da grande maioria dos produtos naturais. Toda a ciência de aromas está baseada no conhecimento desta atividade dos terpenos.


Importância Científica


Abstraindo das aplicações diretas dos terpenos, modificados ou não, histórica e atualmente eles apresentam grande importância científica, mormente como estruturas guias para a síntese de novos produtos farmacêuticos. Também o esclarecimento dos mecanismos de ação dos terpenos na fisiologia e na ecologia, vem dando significativa contribuição para o desenvolvimento de novas drogas e processos.
Aplicações


Das propriedades e atividades anteriormente citadas derivam as principais aplicações dos terpenos. Da sua propriedade de solvência vem sua aplicação na produção de solventes, seja para reação ou processo, seja para dissolução ou remoção de outros produtos. Aqui podem ser citados como exemplo os removedores e desengraxantes em todos os seus usos em limpeza de superfícies, industriais ou não. Assim a área de solventes desponta como a primeira e mais simples, das aplicações de terpenos.
Das suas propriedades aromáticas, vêm as aplicações como aromas e fragrâncias, na aromatização de alimentos, de cosméticos e na perfumaria, sendo estas as suas mais tradicionais áreas de aplicação e com maior representação em volume, dentre todas as áreas de aplicação de terpenos. Ainda fruto das propriedades aromáticas dos terpenos está a aplicação em neutralização de odor, hoje em franca expansão.


Seguem-se, decorrentes das atividades biológicas, as aplicações como drogas para a indústria farmacêutica, humana e veterinária. Não só a indústria de fitoterápicos utiliza cada vez mais compostos naturais, mas também a indústria farmoquímica usa terpenos como matéria-prima para os seus processos de síntese.
Ainda como conseqüência da atividade biológica dos terpenos, está sua aplicação em produtos de uso sanitário, industriais ou não. A indústria de fungicidas e antimicrobianos em geral utiliza terpenos, tanto como matéria-prima para a fabricação de semi-sintéticos, como diretamente.
Como uma necessária combinação da atividade biológica e das propriedades aromáticas dos terpenos, está sua aplicação no combate às pragas, seja na agricultura ou na área urbana. A indústria de defensivos agrícolas, que no seu início utilizava produtos naturais, volta a interessar-se por eles, devido à sua baixa toxicidade e sua compatibilidade ambiental.

Tecnologia de Terpenos Ativos

Terpenos Ativos e Tecnologia TERPENE VR

Desde o nascimento da química farmacêutica sintética, que começou pela modificação de produtos naturais, são buscadas novas estruturas que atendam melhor seus propósitos, de propriedade e atividade, sem provocar efeitos indesejáveis. Isto se aplica tanto na área farmacêutica como na industrial. Produtos químicos derivados de substâncias naturais, que obedeçam aos critérios acima, sempre foram pesquisados.

Assim, o desenvolvimento de produtos para uso como defensivos agrícolas, inseticidas de caráter geral, produtos e outros, busca hoje atender critérios de eficiência e custo, mas também de compatibilidade ambiental e baixa toxicidade.

A pesquisa pelo desenvolvimento dos produtos de base terpênica, cuja tecnologia hoje é denominada TERPENE VR, começou em 1987, pela observação que processos naturais, ocorridos nas plantas e no ambiente, produziam substâncias mais ativas para algumas funções, pela modificação estrutural de estruturas terpenóides. O próximo passo, para dar viabilidade econômica, foi produzir em reatores aqueles mesmos processos, somente com mais velocidade e seletividade.

Respeitando estes princípios, uma série de produtos foi desenvolvida, de forma a atingir um determinado grupo de atividades e propriedades físicas. A figura abaixo mostra a metodologia de desenvolvimento aplicada.

Metodologia P&D


Aplicação de Tecnologia TERPENE VR – Áreas

A principal propriedade física buscada em primeiro lugar foi a solvência. Foram então desenvolvidas várias estruturas modificadas de terpenos, onde a variação da constante dielétrica permite a obtenção de solventes que atendem desde a faixa do hexano até o clorofórmio.

Não explorando o campo de aromas e fragrâncias, o próximo objetivo foi a neutralização de odores, fato já bem observado na própria natureza. Sem aprofundas a questão do mecanismo da atividade, que exigiria a exposição com maior rigor científico, o que não cabe neste trabalho, pode-se dizer que poucas iniciativas até hoje obtiveram sucesso nesta aplicação. Foram desenvolvidas estruturas que atendem a grande maioria dos casos onde a neutralização de odores é necessária e aplicável.

A próxima atividade explorada foi a inseticida, aqui incluindo larvicida. Um pequeno grupo de insetos foi alvo de testes com diferentes produtos terpênicos desenvolvidos, apresentando resultados positivos, podendo-se citar mosquitos de forma geral, moscas, formigas e alguns tipos de cupins.

Finalmente as atividades antimicrobianas, antibacteriana e fungicida foram estudadas, levando ao desenvolvimento de um grupo de produtos de alto desempenho. Tanto nesta área quanto na inseticida, ainda muito há que ser feito. A figura abaixo mostra esquematicamente as áreas de aplicação da tecnologia TERPEN VR.

TERPENE VR - Atividades e Propriedades


Fonte: Terpenoil